O baterista de todas as bandas

Duda Lazarini 2Você pode até não reconhecer o nome, ou o rabinho de cavalo já branco cruzando seu caminho durante uma balada da cidade. Mas é certo que já ouviu e dançou muito ao som das baquetas de Duda Lazarini, que está completando 30 anos de carreira. Balaco, Pó de Café, Dr. Ostrócio e A Selva são alguns dos projetos que estão sob sua batuta.

Natural de Barretos, Duda está em Ribeirão Preto desde 1986 e já tocou em praticamente todos os lugares possíveis da cidade. E com um currículo que abrange Guilherme Arantes, Sambô e a cantora italiana Barbara Casini, ele comemora três décadas dedicadas à música nesta quarta-feira (12/03), com um show de releituras do jazz e da música brasileira. Entre as participações especiais, estarão Murilo Barbosa (piano), Rubinho Antunes (trompete), Bruno Barbosa (contrabaixo), Marcelo Toledo (saxofone), Mauro Zacharias (trombone), Leandro Cunha (teclados) e Vanderlei Henrique (saxofone).

Confira a entrevista que ele concedeu ao Varal Diverso.

Nos anos 1980, você encontrou boas oportunidades em Ribeirão como músico?
Sim. Me mudei pra poder justamente trabalhar como músico e, nesta época, Ribeirão tinha uma noite muito promissora. Eu trabalhava em casas noturnas tocando de segunda a segunda.

Duda Lazarini e Mauro Zacharias, em 1991, na Fascinação

Duda Lazarini e o trombonista Mauro Zacharias, em 1991, na Fascinação Banda Show

Como foi que tudo começou?
Toco desde meus 16 anos, profissionalmente, mas meu primeiro trabalho importante foi com a Fascinação Banda Show, de Taquaritinga, e eu entrei lá com 24 anos.

Quais foram os momentos mais importantes e que te consolidaram como baterista?
Acredito que todos projetos que participei foram muito importante para minha formação, mas posso destacar o período de 7 anos que fiquei na Fascinação (1989 até 1996), e de 1998 até 2001, quando acompanhei Guilherme Arantes por todo o país e gravei o disco Aprendiz com ele.

Como tem sido suas experiências no exterior? Você nota alguma diferença entre a recepção do público brasileiro e do público internacional?
Toquei na Itália com o musico clarinetista Gabriele Mirabasi e com a cantora Barbara Cassini, além de ter participado, em Bogotá (Colômbia), do Festival Internacional da Canção Infantil Caribenha com o músico Márcio Coelho. Lá, também dei palestras sobre ritmos brasileiros. Em se tratando de exterior, sim, nossa música é muito respeitada e o público é extremamente diferente. As pessoas são muito mais receptivas ao que tocamos e nos tratam como verdadeiros artistas.

Duda Lazarini 3

Como apaixonado pela música instrumental, quais são suas grandes influências?
A música instrumental sempre foi muito importante, pois como músico encontrei a melhor forma e liberdade de expressão com ela. Entre minhas principais influências estão Miles Davis, Astor Piazzola, John Coltrane, Art Blakey, Max Roach, Banda Black Rio, Chick Corea e Bill Evans.

Duda Lazarini 1Nunca pensou em viver na capital por conta do mercado de trabalho?
Com 4 filhos pra criar, optei por morar em Ribeirão pela qualidade de vida. Morei um ano em Sampa, mas não deu para levá-los, então tive que ficar por aqui mesmo.

E o que podemos esperar do show de quarta-feira?
Nesse show faço exatamente o que sempre fiz. Armei um repertório para o público que acredito ser o ideal, com apenas uma música minha. Escolhi músicas de alguns amigos que ainda não foram gravadas, além de um arranjo especialmente feito para bateria da música “Conversa de botequim”, de Noel Rosa e Vadico.

Duda Lazarini Leandro Cunha Lisboa

Duda Lazarini e o tecladista Leandro Cunha, em Lisboa (Portugal)

SERVIÇO
Duda Lazarini: 30 anos
12/03 (quarta), às 20h30
R$ 2 (comerciário) / R$ 5 (meia) / R$ 10

Auditório do Sesc Ribeirão Preto
Rua Tibiriçá, 50 (Centro)
Informações: 3977-4477

Texto: Francine Micheli
Edição: Paulo Gallo
Fotos: Arquivo Pessoal/Divulgação